As sereias eram originalmente metade aves metade mulheres, que atraíam os marinheiros com seus cantos, para então devorá-los. Na saga de Ulisses elas eram chamadas de “Sirenes” e são como representações de aspectos mais impulsivos e amorais da vida, que seduzem o ego e o afastam do caminho onde se pretende chegar. Dizem que foi na idade média que seu aspecto se misturou com os dos tritões, seres metade peixes metade homens, mas continuaram representando o pecado e os desvios morais.

Elas aparecem em diversas culturas da antiguidade, como se em vários lugares do mundo e em épocas diferentes, a ideia de um ser conectado ao elemento água nos tragasse para esse oceano do inconsciente, nos fazendo abraçar impulsos mais primitivos. Ou por outro lado é só um moralismo machista mesmo, em retratar no feminino algo que leva os homens à ruína, sendo preciso resistir aos seus encantos para encontrar a salvação.

Prefiro acreditar que a salvação está justamente em se entregar e se deixar ser devorado.

A banda Pearl Jam tem uma música chamada Sirens, a letra parece brincar com o duplo sentido da palavra sirene.

O cantor brasileiro Supla tem um vídeo clipe da música Break The Ice, que retrata um cara resgatando uma sereia de uma rede de pesca… a música ficou na minha cabeça enquanto pintava essa tela.

Noite após noite eu vejo seu rosto
De repente, ela me olha fixo
Mas eu me sinto tímido
Eu não sei por quê
Esse sentimento é tão forte
Nunca morrerá

Kafka escreveu que mais mortal do que os cantos das sereias é o silêncio delas.